Pontes diz que foi pego de surpresa com corte na ciência, mas afirma que Planalto prometeu repor a verba

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Na semana passada, Congresso aprovou retirada de R$ 600 milhões no orçamento da área, a pedido do Ministério da Economia. Ministro da Ciência e Tecnologia informou que pediu reposição a Bolsonaro.

O ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, disse nesta quarta-feira (13) que foi pego de surpresa e ficou chateado com o corte do governo em verbas para a ciência. Ele disse que conversou com o presidente Jair Bolsonaro e com a ministra Flávia Arruda (Secretaria de Governo), e que o Planalto teria prometido a reposição dos recursos.

Na última quinta-feira (7), o Congresso remanejou mais de R$ 600 milhões do Orçamento, que anteriormente seriam utilizados para o financiamento de pesquisas, e destinou recursos para aplicações em outras áreas de sete ministérios.

O projeto foi modificado no Congresso a pedido do Ministério da Economia e gerou protesto de oito entidades ligadas à ciência no país. Em uma carta endereçada ao presidente do Senado e do Congresso, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), as instituições apelam aos parlamentares que revertam a retirada de recursos do setor.

Em uma audiência na Câmara nesta quarta, Pontes foi questionado por deputados sobre os cortes na ciência.

“Realmente, como eu já coloquei, publicamente até, eu fui foi pego de surpresa. Ontem [terça] conversei com o presidente sobre isso, ele também foi pego de surpresa. Pedi ajuda para a recuperação desses recursos, ele prometeu que vai ajudar”, afirmou o ministro.

“Eu fiquei muito chateado. Já conversei sobre isso para que seja reposto, conversei com a ministra Flávia, e eles prometeram que isso vai ser reinstituído”, completou Pontes.

O ministro disse também que pediu a recomposição imediata dos recursos ao ministério da Economia e à Casa Civil, além da Secretaria de Governo.

“Já enviei ofício para o ministro Paulo Guedes, para a Economia, Casa Civil e Secretaria de Governo sobre a necessidade de recomposição imediata desses recursos que foram passados para os ministérios. Assim como também já conversei e falei com o presidente, ele ficou de me ajudar com a recomposição disso. Diga-se de passagem: o presidente costuma ajudar sempre em relação ao orçamento”, informou Pontes.

‘Apego’ ao cargo

Durante a audiência, deputados de oposição fizeram diversas críticas ao corte do orçamento e à gestão do governo sobre as políticas voltadas à ciência.

Ivan Valente (PSOL-SP) chegou a pedir um “ato de grandeza” do ministro e que ele renunciasse ao cargo. “O que está se fazendo aqui é a anticiência e a destruição do sistema nacional de ciência e tecnologia”, afirmou o deputado.

Pontes, porém, reforçou ser “piloto de combate” e treinado para “defender o país” e para “cumprir a missão”.

“Eu não me apego a cargo, eu me apego à missão. Tem dias que a gente fica realmente chateado com as coisas. Nós conseguimos fazer pouca coisa com o orçamento, imagina quando estiver com o orçamento completo. Eu recebi essa missão de proteger esse sistema e melhorar o sistema”, afirmou.

“Quando pego missão vou até o final, e a gente faz as coisas que a gente vê que têm lógica para ajudar o sistema. Se precisar decolar e fazer uma coisa muito difícil com o avião, a gente faz pensando na missão. Mas se aquilo for inútil para a missão, não faz sentido fazer. Eu vou continuar a insistir em defender a ciência do Brasil, apesar de todas as situações. Isso por causa da missão que nós temos com a ciência”, acrescentou o ministro.

‘Ódio’ do nazismo

Aos deputados, Pontes também deu explicações sobre o encontro com a deputada alemã de extrema-direita Beatrix von Storch em julho deste ano. A congressista, durante a visita ao Brasil, se reuniu com diversos políticos, entre os quais o presidente Jair Bolsonaro.

O ministro iniciou a explicação dizendo que é “raro” falar que odeia alguma coisa, mas que uma das coisas que odeia “é tudo o que tem a ver com o nazismo, o que significou o nazismo para a história da humanidade”. Na sequência, explicou que o encontro foi promovido pela deputada Bia Kicis (PSL-DF).

“A visita dessa deputada aconteceu da seguinte forma: recebi uma ligação vinda da assessoria da deputada Bia Kicis solicitando que eu tirasse uma foto como astronauta”, explicou.

Segundo ele, a informação inicial era a de que a congressista alemã teria um irmão que era astronauta – depois, disse, descobriu que na verdade o cunhado da deputada vislumbrava a profissão.

Pontes adicionou que tirou a foto com a deputada alemã e que somente depois viu na imprensa “a questão de neonazismo” e que é “lógico” que ficou preocupado.

“Ela foi eleita na Alemanha, legalmente, é uma representante oficial do Parlamento alemão e a Alemanha é uma nação amiga. Ou seja: ainda bem que eu não sabia de nada disso antes de recebê-la, senão eu ia ficar numa situação difícil, num conflito interno porque mesmo sendo contra qualquer coisa a ver com nazismo, eu seria obrigado a receber qualquer pessoa, uma representante oficial de um governo amigo. Por obrigação do cargo eu teria obrigação de receber”, afirmou.

Beatrix von Storch é vice-líder do Partido Alternativa para a Alemanha, fundado em 2013 com críticas à União Europeia. A legenda de extrema-direita adota um discurso de ódio aos estrangeiros. Integrantes da cúpula do partido foram duramente criticados na Alemanha por defenderem ideias consideradas racistas e neonazistas. E agora, durante a pandemia, o partido também foi duramente criticado por posições negacionistas.

Por Marcela Mattos, g1 — Brasília

 

 

 

 

 

 

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